CINZAS


www.liturgia.pro.br

significado
dados históricos

As cinzas são usadas na celebração de quarta-feira que dá início à Quaresma. É o primeiro gesto de penitência com o qual os cristãos iniciam o caminho para a celebração da Páscoa do Senhor
 

O inicio da penitência pública, imposta aos culpados de algum pecado grave, estava fixado, desde muito cedo, no inicio da Quaresma. Originariamente, esta penitência era imposta na segunda-feira  depois do primeiro domingo da Quaresma e, mais tarde, na Quarta-feira antes do primeira domingo da quaresma. Esta quarta-feira passou a ser chamada de quarta-feira de Cinzas. Os penitentes tomavam uma veste penitencial e recebiam a cinzas na cabeça.

 O costume de tomar traje penitencial e de cobrir de cinza a cabeça, como expressão de luto e como demonstração dos sentimentos de penitência, já era conhecido no Antigo Testamento e na antiguidade pagã. Jesus também alude às cinzas, quando adverte as cidades galiléias de Corazim e Betsaida contra sua impenitência, clamando: “Se em Tiro e Sidônia tivessem sido realizados os milagres que em vós se realizaram, há muito se teriam convertido, vestindo-se de cilício e cobrindo-se de pó (cinzas)” (Mt 11,21).

 No Sínodo de Benevento (1091), o Papa Urbano II recomendou este costume de iniciar a quaresma, colocando cinzas nas cabeças dos fiéis a todas as Igrejas. O rito consistia em impor as cinzas sobre a cabeça dos clérigos e dos homens. Na cabeça das mulheres, era feita, na testa, uma cruz com as cinzaz.

 Os dados históricos apontam que no século XI surgiu a primeira oração para bênção das cinzas. Já a prescrição de se usar palhas bentas que, no ano anterior, foram usadas na procissão de Ramos, para fazer as cinzas que são colocadas sobre as cabeças dos fiéis, aparece pela primeira vez no século XII.

 Desde a antiguidade e no Antigo Testamento, até aos mais recentes acontecimentos da Igreja, as cinzas sempre foram entendidos como um símbolo de transitoriedade, de luto e de penitência. Não tem nenhuma referência à morte, mesmo que uma das fórmulas lembre o fiel que é pó e ao pó retornará. Esta fórmula é sim um alerta para a conversão por causa da transitoriedade da vida.

 A última reforma do Missal, realizada no século XX, não deixa de advertir que “na quarta-feira de abertura da Quaresma, que é, por toda parte, dia de jejum, faz-se a imposição das cinzas”.

Fonte: Adolf ADAM,
O ano litúrgico, Paulinas,

São Paulo, 1982, pp. 99-101

 

VOLTAR