|
3 de junho de 2001 |
|
LEITURAS
|
|
|
NB
Estamos apresentando a reflexão da Missa do dia de Pentecostes e não da Vigília. O Diretório Litúrgico (p. 371) oferece a possibilidade de escolha entre as leituras da Solenidade, que se lêem no “Ano A”, e as leituras da Solenidade para o “Ano C”. Nós escolhemos esta segunda opção, como pode ser verificado no quadro de leituras, acima. ILUMINADOS
PELA PALAVRA
|
|
Estamos
propondo uma FOTO no final deste texto, para aqueles que estão acessando
esta proposta no site de www.liturgia.pro.br |
Ato penitencial: Com base no lucernário, acima proposto, ou feito de modo mais simples, o presidente da celebração convida a assembléia a reconhecer as faltas e os pecados, que são sempre barreiras para a ação do Espírito Santo, na vida pessoal e na vida comunitária. Não deixar o Espírito Santo agir, em cada um e na comunidade é viver nas trevas do erro e do engano. Por isso, é preciso pedir perdão.
LITURGIA
DA PALAVRA
Seqüência: Já
propomos, acima, ajudando a escolher as canções, que a seqüência fosse
cantada, como é próprio da natureza deste rito. Voltamos a insistir que se
escolha um bom cantor ou cantora para cantar a seqüência e que a
assembléia tenha parte ativa nesta canção através de um refrão.
Aclamação ao evangelho:
Também já foi comentado acima, nas propostas das canções. Como sugerimos
em outra oportunidade, o evangeliário poderá ser levado em procissão,
antes da sua proclamação, por toda a igreja, de tal modo que as pessoas
possam tocá-lo e fazer o sinal da cruz depois disso. O sentido deste gesto
está no texto do evangelho que diz que quem guarda as palavras de Jesus,
torna-se morada (templo) do Espírito Divino em si. Por isso, as pessoas
são convidadas a tocar este livro que mostra o caminho para se tornar
templos do Espírito.
Proclamação do evangelho: Um modo de solenizar a proclamação do evangelho, além do canto, é levar jovens que participaram do lucernário (cf. rito de entrada) a ladear o ambão durante a proclamação do evangelho. Os jovens podem fazer alguns gestos acompanhando os mesmos gestos do proclamador do evangelho.
Anotações práticas
Quanto à procissão do evangeliário pela assembléia, sua equipe
de celebração deverá estudar as condições que a igreja oferece. Se a
igreja é grande, com corredores grandes de tal modo que, juntamente com o
proclamador do evangelho, alguns jovens com as lamparinas possam acompanhar
a procissão, seguindo o ministro um pouco mais atrás, para não
atrapalhar quem está na assembléia, que seja feito deste modo. Para as
igrejas menores, esse gesto apresenta dificuldade e precisa ser estudado
qual o melhor modo para a realização.
Os
gestos de acompanhamento da proclamação do evangelho, poderão ser: no
momento que o padre canta (ou fala) a saudação do “O Senhor esteja
convosco” e abre as mãos, os jovens com as lamparinas fazem um gesto
para os lados, como que espalhando a luz do fogo, que simboliza o Espírito
Santo, para todos os cantos da igreja. Da mesma forma, no final da
proclamação, quando o proclamador cantar “Palavra da Salvação”, os
jovens elevam as mãos com as lamparinas acesas.
|
Estamos
propondo uma FOTO no final deste texto, para aqueles que estão acessando
esta proposta no site de www.liturgia.pro.br.
A foto que mostramos é justamente no momento do evangelho, na saudação
do proclamador do evangelho. |
Oração da comunidade: Novamente, nos
reportamos às propostas das canções para recordar que neste momento, as
preces poderão ser feitas com as invocações da canção “Vem Espírito
Santo,vem...” Seguem algumas sugestões de intenções:
P – Irmãos e
irmãs, reunidos em assembléia e celebrando a vinda do Espírito Santo,
invoquemos este mesmo Espírito para que ilumine nossas vidas e a vida de
todos que vivem em nossa comunidade.
T – (cantando) Vem,
Espírito Santo, vem!
Vem, iluminar
(2X)
Solo: A nossa Igreja;
vem!
T – Iluminar.
Solo: Nossos pastores; vem!
T – Iluminar.
T – (cantando) Vem, Espírito Santo, vem!
Vem, iluminar
(2X)
Solo: Nossas
famílias; vem
T – Iluminar.
Solo: Nossa paróquia vem;
T – Iluminar.
T – (cantando) Vem,
Espírito Santo, vem!
Vem, iluminar
(2X)
Solo: Os nossos
jovens; vem
T – Iluminar.
Solo: Nossas
crianças; vem,
T – Iluminar.
T – (cantando) Vem,
Espírito Santo, vem!
Vem, iluminar
(2X)
P – Senhor,
destes o Espírito Santo à tua Igreja para que ela seja um sinal do teu
Reino entre nós. Concedei-nos a graça de ser, para nossos irmãos e irmãs
testemunhas audaciosos de vosso amor. Vós que sois o Vivente pelos séculos
dos séculos.
T – Amém!
Anotações práticas
A
Equipe de celebração poderá propor outras intenções, de acordo com as
necessidades da comunidade. Caso, não conheçam esta melodia, outra
semelhante poderá ser
adotada.
Outra sugestão,
para rezar com o símbolo do fogo, é pedir que os jovens encarregados das
lamparinas, façam pequenos gestos de dança no momento as invocações
são cantadas. Os mesmos gestos poderão ser feitos por toda a assembléia.
Os jovens com as lamparinas ficarão de frente para o povo.
NB - Antes de pensar nos gestos da prece, leia abaixo, as anotações prática a propósito da procissão das ofertas.
Procissão das ofertas:
Não há necessidade de levar outros símbolos para o altar a não ser os
dons da missa: pão, vinho e água. Recordando nossa intenção do uso do
fogo como símbolo e presença da ação do Espírito Santo em todos os
momentos da celebração, também desta vez, os jovens com as lamparinas
acompanharão os representantes da comunidade que levarão as ofertas ao
altar.
Anotações práticas
Faz-se necessário dividir o grupo. Metade ficará no presbitério,
para acompanhar as preces da comunidade e a outra metade dirige-se ao fundo
da igreja para acompanhar os representantes da assembléia que levarão os
símbolos ao altar.
Neste
caso, não há necessidade de se fazer nenhuma coreografia. Basta que os
jovens entram caminhando acompanhado os oferentes, enquanto se canta a
canção das ofertas.
Oração eucarística:
Já mencionamos, quando tratamos da eucologia, os motivos da escolha da
Oração Eucarística I para esta eucaristia. Diante da importância desta
solenidade, lembramos que as aclamações deveriam ser todas cantadas. Para
a grande doxologia (amém, no final da Oração Eucarística), pode-se
acrescentar ainda as aclamações de aleluia, e louvor e glória, como
consta nas Orações Eucarísticas da Reconciliação. (Para as aclamações
da doxologia, Cf. Missal Romano, p. 870).
Propomos,
a seguir, uma monição para que o padre prepare a assembléia para o
momento da Prece Eucarística.
Monição para prece eucarística
Chegamos
ao momento do grande louvor de ação de graças da Igreja e de nossa
assembléia, reunida nesta celebração. Neste momento, o padre invoca o
Espírito Santo para que consagre o pão e o vinho em Corpo e Sangue do
Senhor. Acompanhemos este momento com o respeito silencioso de quem
participa e está envolvido pelo Mistério divino.
Ação
de graças: Nos reportamos, de novo,
às propostas das canções para recordar que nesta celebração é
necessário realizar, depois da comunhão, um momento de silêncio um pouco
mais longo que o costumeiro. O motivo é facilmente compreensível. Quem nos
acompanha a mais tempo, já teve ocasião de nos ler que o silêncio
litúrgico é o “locus spiritualis”, o local do Espírito Santo. Isso
nos leva a sugerir que alguém (padre ou comentarista) leve a assembléia a
silenciar neste momento. Depois do silêncio, pode-se cantar uma canção,
como já sugerido anteriormente.
RITOS
FINAIS
Compromisso
concreto: Nossa proposta de compromisso
concreto está vinculada à homilia, que trata da necessidade de “falar”e
se mostrar cristão em todos os momentos da vida. Volta-se à insistir com o
testemunho dos cristãos. Mas, existe um algo a mais:
Apagar o Círio Pascal:
No dia de hoje, depois da oração das vésperas, o Círio Pascal deverá
ser apagado. Depois, o Círio Pascal deverá ser levado ao Batistério. Uma
vez que nossas assembléias, quase sempre, não participam da oração das
vésperas, sugerimos que no final da missa, particularmente, da missa (ou do
culto) da noite, apague-se o Círio Pascal e o mesmo seja levado ao
batistério da igreja (onde tiver batistério; nas outras permanece no
local, mas apagado).
Os jovens
continuarão com as lamparinas acesas, representando todos os celebrantes. O
rito quer dizer que o Círio Pascal é tirado da assembléia, e que de agora
em diante, cada cristão é um “Círio Pascal” aceso no meio da
sociedade. De fato, o Círio Pascal voltará a ser aceso nas celebrações
batismais e cada batizado recebe uma vela, como sinal que deverá ser luz,
testemunho da presença da vida animada pelo Espírito Santo que habita nos
que foram batizados.
Anotações práticas
Ao terminar a celebração, o presidente da celebração (ou o
comentarista) explica o gesto que será feito, de apagar o Círio Pascal.
Explica que o Círio será levado ao Batistério, porque ali, todos
nascemos para a Vida, pela ressurreição de Jesus.
Existe
a possibilidade de ritualizar esse gesto, levando o Círio ao Batistério,
sendo acompanhado pelos jovens com as lamparinas. Neste caso, eles voltam
com as lamparinas acesas, para que se a mensagem do compromisso concreto
possa ser facilmente compreendida.
Uma
canção que fale do compromisso cristão de ser luz no meio do mundo
poderá acompanhar o rito. Caso não se opte pela procissão, pode-se
apagar o Círio Pascal e, da mesma forma, explicar o que já descrito
acima.
Bênção final:
Fazer a Bênção solene desta celebração, que se encontra no Missal
Romano, p. 524. E, a despedida poderá ser:
O Espírito do Senhor está conosco em todos os momentos da nossa vida; por
isso não devemos ter medo. Ide em paz, e o Senhor vos acompanhe, aleluia,
aleluia!
T – Graças a Deus,
aleluia, aleluia!
PRIMEIRA
LEITURA – At 2,1-11
A vinda do Espírito Santo sobre os apóstolos é o dia do nascimento da
Igreja. É quando a Igreja deixa o medo de viver escondida num cenáculo e,
corajosamente, anuncia o evangelho.
Leitura
dos Atos dos Apóstolos
Quando
chegou o dia de Pentecostes,
os discípulos estavam todos reunidos no mesmo lugar.
De repente, veio do céu um barulho
como se fosse uma forte ventania,
que encheu a casa onde eles se encontravam.
Então apareceram línguas como de fogo
que se repartiram e pousaram sobre cada um deles.
“Todos ficaram cheios do Espírito Santo
e começaram a falar em outras línguas,
conforme o Espírito os inspirava.
Moravam em Jerusalém judeus devotos,
de todas as nações do mundo.
Quando ouviram o barulho,
juntou-se a multidão, e todos ficaram confusos,
pois cada um ouvia os discípulos
falar em sua própria língua.
Cheios de espanto e admiração, diziam:
“Esses homens que estão falando não são todos galileus?
Como é que nós os escutamos na nossa própria língua?
Nós que somos partos, medos e elamitas,
habitantes da Mesopotâmia, da Judéia e da Capadócia,
do Ponto e da Ásia,
da Frígia e da Panfília,
do Egito e da parte da Líbia próxima de Cirene,
também romanos que aqui residem;
judeus e prosélitos cretenses e árabes, todos nós
os escutamos anunciarem as maravilhas de Deus
na nossa própria língua!”
Palavra do Senhor.
Graças a Deus
Salmo Responsorial
- Sl 103
Hoje, a Igreja de Jesus Cristo que fala todas as línguas ao redor do mundo,
numa só voz, suplica a vinda do Espírito Santo, para que realize
maravilhas e inspira nosso louvor ao Pai eterno.
Enviai
o vosso Espírito, Senhor,
e da terra toda a face renovai.
Bendize,
ó minha alma, ao Senhor!
Ó meu Deus e meu Senhor, como sois grande!
Quão numerosas , ó Senhor , são vossas obras!
Encheu-se a terra com as vossas criaturas!
Enviai o vosso Espírito, Senhor,
e da terra toda a face renovai.
Se tirais
o seu respiro, elas perecem
e voltam para o pó de onde vieram.
Enviais o vosso espírito e renascem
e da terra toda a face renovais.
Enviai o vosso Espírito, Senhor,
e da terra toda a face renovai.
Que a glória do Senhor perdure sempre,
e alegre-se o Senhor em suas obras!
Hoje seja-lhe agradável o meu canto,
pois o Senhor é a minha grande alegria!
Enviai
o vosso Espírito, Senhor,
e da terra toda a face renovai.
Segunda leitura
– Rm 8,8-17
Em cada um de nós vive o espírito da carne e o Espírito
Santo de Deus. São Paulo descreve
a necessidade de deixar o Espírito Santo de Deus habitar em nós e conduzir
nossa vida em todas as circunstâncias.
Leitura da carta de São Paulo aos Romanos
Irmãos:
Os que vivem segundo a carne não podem agradar a Deus.
Vós não viveis segundo a carne, mas segundo o espírito,
se realmente o Espírito de Deus mora em vós.
Se alguém não tem o Espírito de Cristo,
não pertence a Cristo.
Se, porém, Cristo está em vós,
embora vosso corpo esteja ferido de morte
por causa do pecado,
vosso espírito está cheio de vida, graças à justiça.
E, se o Espírito daquele
que ressuscitou Jesus dentre os mortos mora em vós,
então aquele que ressuscitou Jesus Cristo dentre os mortos
vivificará também vossos corpos mortais
por meio do seu Espírito que mora em vós.
Portanto, irmãos, temos uma dívida,
mas não para com a carne,
para vivermos segundo a carne.
Pois, se viverdes segundo a carne, morrereis,
mas se, pelo espírito, matardes o procedimento carnal,
então vivereis.
Todos aqueles que se deixam conduzir
pelo Espírito de Deus
são filhos de Deus.
De fato, vós não recebestes um espírito de escravos,
para recairdes no medo,
mas recebestes um espírito de filhos adotivos,
no qual todos nós clamamos:
Abá - ó Pai!
O próprio Espírito se une ao nosso espírito
para nos atestar que somos filhos de Deus.
E, se somos filhos, somos também herdeiros,
herdeiros de Deus e co-herdeiros de Cristo;
se realmente sofremos com ele,
é para sermos também glorificados com ele.
Palavra do Senhor.
Graças a Deus
Seqüência
Como Igreja, reunida nesta assembléia, louvemos e supliquemos que o
Espírito Santo de Deus habite em nós.
Espírito
de Deus,
enviai dos céus
um raio de luz!
Vinde, Pai dos pobres,
dai aos corações
vossos sete dons.
Consolo que acalma,
hóspede da alma,
doce alívio, vinde!
No labor descanso,
na aflição remanso,
no calor aragem.
Enchei, luz bendita,
chama que crepita,
o íntimo de nós!
Sem a luz que acode,
nada o homem pode,
nenhum bem há nele.
Ao sujo lavai,
ao seco regai,
curai o doente.
Dobrai o que é duro,
guiai no escuro,
o frio aquecei.
Dai à vossa Igreja,
que espera e deseja,
vossos sete dons.
Dai em prêmio ao forte
uma santa morte
alegria eterna
Amém!
EVANGELHO
– Jo 14,15-16.23b-26
Proclamação
do evangelho de Jesus Cristo, segundo João:
Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos:
“Se me amais,
guardareis os meus mandamentos,
e eu rogarei ao Pai,
e ele vos dará um outro Defensor,
para que permaneça sempre convosco.
Se alguém me ama, guardará a minha palavra,
e o meu Pai o amará,
e nós viremos e faremos nele a nossa morada.
Quem não me ama,
não guarda a minha palavra.
E a palavra que escutais não é minha,
mas do Pai que me enviou.
Isso é o que vos disse enquanto estava convosco,
mas o Defensor, o Espírito Santo,
que o Pai enviará em meu nome, ele vos ensinará tudo
e vos recordará tudo o que eu vos tenho dito”.
Palavra da Salvação.
Glória a vós, Senhor
1- Acabou o tempo do grande silêncio
Depois da Paixão e
Ressurreição de Jesus houve um tempo de silêncio. No dia de Pentecostes,
com a vinda do Espírito Santo, começa o tempo de “falar”. De fato, diz
a primeira leitura, que “todos ficaram cheios do Espírito Santo e
começaram a falar em outras línguas”. Acabou o tempo do silêncio e a
Igreja vive agora o tempo do testemunho pela palavra e pelas atitudes. Este
é o primeiro pedido que fazemos nesta celebração: que os cristãos da
comunidade sintam-se chacoalhados pelo Espírito Santo e comecem a falar em
todas as línguas, de tal maneira, que todas as pessoas compreendam a
mensagem do evangelho.
2. Coragem de falar
Estamos tão acostumados a ouvir que precisamos testemunhar o evangelho com
a vida, (e isso continua sendo verdade) que esquecemos ser necessário
testemunhá-lo, também, com nossas palavras. A primeira leitura chama a
atenção para essa necessidade de testemunhar a fé com palavras. Pedro e
os apóstolos, diz a primeira leitura, testemunharam publicamente, com
palavras, a ação do Espírito Santo em suas vidas. Tiveram a coragem de
falar e, o que é também importante, empolgaram seus ouvintes para que,
também eles, se entusiasmassem com a ressurreição e com o evangelho de
Jesus Cristo. Todos estavam admirados com o que ouviam, diz o texto
bíblico.
3 - Guardar as palavras
Testemunhar a fé com
palavras, falando, é um modo de ser cristão no meio do mundo. O evangelho
desta celebração alerta para um detalhe que não pode ser perdido de
vista. “Se alguém me ama guardará minha palavra”, diz Jesus. É um
alerta! Não se trata, apenas, de fazer uma pregação animada para grandes
platéias, mas testemunhar a fé com palavras que demonstrem intimidade com
Deus, a ponto de empolgar quem nos escuta a crer e viver o que diz o
evangelho. Estas pessoas falam daquilo que vivem, que experimentaram em sua
vida espiritual (vida conduzida pelo Espírito Santo) e não apenas daquilo
que aprenderam em livros. São pessoas que se deixam guiar pelo Espírito
Santo de Deus, que nelas habita.
4 - Falar quando necessário
Quando falar?! Uma oração,
atribuída ao Papa João XXIII, reza: “Senhor, concedei-me a graça de
falar quando necessário e a prudência de calar quando preciso”.
Testemunhar a fé com palavras não significa, necessariamente, fazer
pregações nas praças ou em grandes eventos, como já mencionado. Não
significa, tampouco, ficar falando de religião o tempo todo e querendo ser
um moralista com a Bíblia debaixo do braço. Às vezes, é prudente calar
num momento, para falar mais tarde. Contudo, não se pode admitir a omissão
de silenciar quando somos chamados a testemunhar nossa fé com palavras.
Essa coragem de falar quando necessário vem do Espírito Santo, que recorda
e nos ensina como proceder. Assim garante Jesus no evangelho e assim
aprendemos com o exemplo dos apóstolos nesta solenidade de Pentecostes.
Amém!
Anos atrás, escrevi um livro chamado “Pastoral Litúrgica, uma
proposta, um caminho” (Loyola/Dehonianos - 1998) que, graças a Deus,
continua sendo estudado, refletido e debatido em muitas comunidades. Já
foram publicadas 4 edições e, ao que tudo indica, a 5a edição
está à caminho. Em termos de livros sobre Liturgia significa uma boa
aceitação. Deus seja louvado!
Quando
lancei o livro, muitas pessoas ficaram surpresas com a possibilidade da
organização da Pastoral Litúrgica. De fato, como escutei dizer várias
vezes, “nossa Pastoral Litúrgica resumia-se numa lista de funções,
pendurada na parede da sacristia”. Relatei isso em meu livro. Não faz
sentido, a estas alturas, condenar aqueles que deveriam ter tomado
iniciativa e não o fizeram. Talvez, nem eles mesmos consideraram a riqueza
que a Pastoral Litúrgica poderia trazer para a comunidade. Pois bem, agora
precisa coragem para começar. E não pensem que isso seja fácil.
Vamos considerar algumas possíveis críticas na comunidade.
Pastoral do laço
Escrevo essa
prática da “Pastoral do laço” no meu livro com mais calma. Acontece
naquelas comunidades que, quando faltam 10 a 5 minutos para começar a
missa, algumas pessoas da “Liturgia” entram na igreja para “laçar”
comentaristas e leitores.
Diante
da proposta de uma Pastoral Litúrgica, reagem: “não é preciso; afinal,
alguma vez faltou leitor ou comentarista na missa? Se não faltou, para que
mais um trabalho na comunidade?”
“Prá que mudar se a missa começa e termina”
São
os acomodados da comunidade e tem como lema “Prá que mudar?”. Prá que
mudar se a missa começa e sempre chega ao final? Prá que mudar se o padre
sozinho faz os batizados e não incomoda ninguém? Prá que mudar se os
casamentos são tão cheios de flores e teatro?” E arrematam um veredicto
fatal: “está bom assim!”
O
conselho desse pessoal é: “olha, não vamos procurar sarna para nos
coçar; vamos continuar como está, pois está bom assim”. E podem
continuar 10, 20 ou mais anos neste “marca passo” sem sair do
lugar.
“Tenho o lugar garantido”
Outro
grupo são aqueles que se consideram com o lugar garantido para fazer o
comentário, as leituras, as preces e puxar canto na missa. Normalmente,
chegam em cima da hora, e vão direto para o microfone para fazer
comentários e leituras e puxar canto, sem preparação alguma. Têm lugar
garantido lá frente.
Esse pessoal também aconselha a não criar a Pastoral Litúrgica na
comunidade e argumentam: “isso de criar equipes de celebrações para cada
missa, dá muito trabalho; vai ter que fazer reunião uma vez por mês; vai
ter que preparar as celebrações... Do jeito que estamos fazendo, está bom”.
E, por 10, 20 ou mais anos são sempre os mesmos leitores, o mesmo
comentarista naquele mesmo horário de missa. Estes têm cadeira cativa e a
Liturgia caminha na pastoral da mesmice.
“Na hora a gente
vê”
Muitas
equipes de celebrações deixam tudo para a última hora. Não se preocupam
em preparar leituras, comentários ou escolher as canções. Desculpam-se
dizendo: “na hora a gente vê”. Quando é proposta uma caminhada de
Pastoral Litúrgica, os músicos aconselham doutoralmente: “o povo gosta
do jeito que nós cantamos na igreja e, se gostam, para que mudar?”
Convivi
com um grupo assim. Começaram como grupo de jovens, casaram-se, alguns são
quase avós e continuam cantando as mesmas músicas do seu tempo de grupo de
jovens, continuam fazendo as mesmas procissões de oferendas do tempo de
grupo de jovens e continuam achando que vivem há 25 anos atrás.
O folheto tem tudo
Os
mais radicais defensores do “deixa disso” apoiam-se nos folhetos como
critério litúrgico para as celebrações. Os ditos cujos interrogam: “para
que preparar, se o folheto traz tudo o que precisa ser feito?” Com estes
é difícil argumentar. Julgam-se no direito de serem liturgicamente
corretos, enquanto “leitores de folhetos” e não admitem que o folhetos
podem servir para uma melhor preparação para as celebrações.
Algo mais?
Elenquei
algumas possíveis reações, que você poderá ouvir ao propor um trabalho
organizado de Pastoral Litúrgica para a comunidade. Pode ser que você
encontre outras. Faria um grande favor se pudesse enviar-me aquelas defesas
do status quo de sua comunidade, contra a organização da Pastoral
Litúrgica. Tranquilize-se; publicaremos o milagre, mas não o autor nem o
local do mesmo.
Depois de ler o texto, procurem responder:
1 – Se, na comunidade,
for proposta a organização da Pastoral Litúrgica, será que haverá
reações contrárias?
2 – Se, na comunidade, alguns grupos reagissem de acordo com os exemplos
elencados no artigo, como poderíamos contra-argumentar a necessidade de
organizar a Pastoral Litúrgica?
Na próxima proposta celebrativa, vou comentar sobre a importância de organizar a Pastoral Litúrgica na comunidade.
Coordenação
geral e reflexões: Serginho Valle
São José do Rio Preto, maio de 2001

Foto da "dança do fogo" no momento
da proclamação do evangelho como foi sugerido no decorrer da proposta
celebrativa. Observe o modelo das lamparinas que as dançarinas seguram;
são dois modelos diferentes: as dançarinas que estão atrás ostentam uma
espécie de tocha.