4º Domingo da Páscoa C 

6 de maio de 2001

LEITURAS

1ª leitura: At 13,14.43-52 = Eis que nos voltamos para os pagãos.
Salmo Responsorial:
Sl 99 = Sabei que só Ele, o Senhor, é Deus!
2ª leitura:
Ap 7,9.14b-17 = O Cordeiro será o seu pastor.
Evangelho:
Jo 10,27-30 = Eu dou a vida eterna para minhas
ovelhas.

Todos os anos, o 4o Domingo da Páscoa contempla um texto extraído do capítulo 10 do evangelho de João, que apresenta Jesus como o Bom Pastor, aquele que dá a vida pelas suas ovelhas. Outra particularidade, deste 4o Domingo da Páscoa, é o dia mundial de orações pelas vocações sacerdotais e religiosas. A Igreja pede que a comunidade se interesse por seus pastores, reze por eles e os faça pastores iguais ao Coração de Jesus.

 ILUMINADOS PELA PALAVRA

            A Palavra de Deus desta celebração trabalha com dois enfoques: a alegria e o pastoreio. A alegria está nos pagãos que acolhiam o Evangelho pregado por Paulo e Barnabé (1a leitura), no serviço ao Senhor (Salmo Responsorial) e naqueles que foram dignos de receber a palma da vitória (2a leitura). Já o tema do pastoreio aparece no Salmo Responsorial — “somos os seu povo e o seu rebanho” —, na 2a leitura — “porque o Cordeiro, que está no trono, será o seu pastor” — e, no evangelho, no qual Jesus se apresenta como o Bom Pastor, aquele que ama, conhece e dá a vida eterna para suas ovelhas.
           
A confluência destes dois enfoques encontra-se no ponto comum da provação. Os apóstolos, por exercerem sua “pastoral” evangelizadora enfrentaram os sofrimentos da perseguição, da inveja, da recusa e da difamação (1a leitura). A multidão da liturgia celeste tem a palma da vitória porque foi fiel no seguimento do Cordeiro, o Pastor, e não sucumbiu diante das provações deste mundo.
           Dizem os entendidos em Bíblia que a finalidade de João, ao apresentar Jesus como o Bom Pastor, era criar nos leitores uma intimidade com Jesus. A Liturgia, neste “Ano C”, destaca o destino daqueles que seguem o Bom Pastor: receberão a vida eterna, serão vestidos de branco e terão palmas da vitória nas mãos, desde que sejam fiéis nos momentos da provação.
          O exemplo de fidelidade na provação está na Igreja apostólica (1a leitura) em pessoas como Paulo e Barnabé que, mesmo sofrendo contratempos, não deixavam de pregar o evangelho. Antes de receber a palma da vitória existe o empenho apostólico e evangelizador, às vezes pago com o próprio sangue, daqueles que lavaram suas vestes no sangue do Cordeiro (batismo) (2a leitura).         

O Domingo do Bom Pastor, longe de ser um domingo poético, com Jesus caminhando em prados verdejantes e tudo que encanta, traz uma proposta de fidelidade total com o Pastor, através do seguimento e do testemunho, mesmo porque nós ainda estamos vivendo no tempo das provações, que não nos devem apavorar, desde que ouvimos a voz do Pastor.

O QUE VAMOS REZAR NESTA CELEBRAÇÃO

            A celebração se abre com dois pedidos: que sejamos conduzidos às alegrias celestes e possuir a força do pastor (oração do dia). O tema da alegria eterna retorna, de modo direto, na oração sobre as oferendas e, indiretamente, na oração depois da comunhão, ao suplicar que todos os batizados vivam nos “prados eternos”.
           
Levando em consideração esta dimensão escatológica da salvação, tanto das leituras como nas orações desta missa, o Prefácio Pascal que mais se adequa é o Prefácio da Páscoa IV — “A restauração do universo pelo Mistério Pascal” (cf. Missal Romano, p. 424). Os temas da vitória e da vida em plenitude, com o convite baseado na alegria pascal comprovam nossa opção por este prefácio. A Oração Eucarística III, que suplica a vida eterna com todos os apóstolos e mártires, nos leva a indicá-la como a Prece Eucarística para esta missa. 

É interessante perceber que o 4o Domingo da Páscoa tem uma forte dimensão escatológica, como é demonstrado pelas leituras e pelas orações. Isso nos leva a compreender que um fruto da ressurreição de Jesus e do seu seguimento como pastor, é receber a vida eterna, que ressuscitado nos dá (evangelho).

O DESAFIO QUE NOS VEM DO MUNDO

Um desafio é tão antigo quanto o primeiro dia que os apóstolos saíram pelo mundo para pregar o evangelho: a rejeição e a ridicularização aos pregadores. Diante do mundo secularizado e voltado para o materialismo, falar de vida eterna e de enfrentar provações neste mundo não é nada fácil. Se no tempo de Paulo e Barnabé eles foram evangelizar um mundo pagão, nossa realidade brasileira requer, muitas vezes, a necessidade de evangelizar um mundo cristão de nome, mas indiferente aos princípios do cristianismo e da Igreja. 

Outro desafio é o da perseguição e da difamação. A Igreja continua sendo perseguida em nossos dias e em nosso país. Não é uma perseguição institucionalizada, como acontece em alguns países (na China, por exemplo), mas é a perseguição e a difamação moral que, às vezes, se apresenta subliminarmente, outras vezes se faz gratuita e com tons nada evangélicos, como a raiva e a inveja, como acontece com os ataques do jornal daquele grupo financeiro que se auto-denomina igreja universal. 

Em março deste ano, a Rede Globo, no programa Fantástico (25.03.2001) tornou público envolvimentos amorosos de padres e religiosas em vários países, inclusive no Brasil, dizia a reportagem. É o desafio da Igreja de se sentir pecadora e fraca em seus pastores e ter que reconhecer que, embora contando com a graça divina e com a presença do Bom Pastor, ainda vacila e cai diante das tribulações deste mundo. Quem sabe por isso, com maior devoção devamos rezar nesta missa: “apesar de sua fraqueza não falte a fortaleza do pastor”.

Muito provavelmente muitos outros desafios existem em sua comunidade. Eles podem ser recordados no momento da preparação desta celebração e serem apresentados à assembléia litúrgica, a exemplo daquilo que faz a Liturgia da Palavra deste dia.

 

CONTEXTO CELEBRATIVO

            Depois de refletir as leituras, as orações e os desafios da sociedade, o Domingo do Bom Pastor se apresenta num contexto celebrativo que promete a vida eterna, mas que não esconde o mundo que vivemos. E mais! Não esconde a necessidade de enfrentar as tribulações, os ataques e as perseguições deste mundo.

            A proposta do contexto celebrativo deste domingo não é fugir do mundo ou se isolar em orações ou louvações alienadas, esperando o dia de ir para o céu. A liturgia, ao contrário disso, empenha o celebrante a ter mais coragem e mostrar o rosto, como fez Paulo e Barnabé, com fizeram aqueles que, de tanto amor pelo Pastor, lavaram suas vidas no sangue do Cordeiro e se tornaram mártires de Cristo (testemunhas).

            O contexto celebrativo deste domingo canta a alegria da ressurreição, a promessa da vida eterna e a presença da voz do Bom Pastor na Igreja, e exige dos celebrantesa coragem de não fugir diante dos desafios deste mundo.

 MOTIVANDO A INSPIRAÇÃO

1 – O tema do anúncio evangelizador e de sair pregando o evangelho (1a leitura).
2 – Uma celebração motivada pela alegria, tendo em vista uma recompensa espiritual.
3 – O empenho cristão na sociedade, independe das provações que surgirem.
4 – Vocação sacerdotal e religiosa como entrega ao Bom Pastor e empenho pelo Reino.
5 – Símbolo vocacional da PV da diocese ou oração pelas vocações diocesana
6 – Encorajamento diante dos desafios da comunidade.
7 – Vida eterna; uma realidade distante para nossos dias?
8 – Palma da vitória para compor o arranjo no ambão e no altar.


VAMOS CANTAR A CELEBRAÇÃO

As canções deverão continuar a ter o mesmo teor pascal. Contudo, uma ou outra canção poderia destacar Jesus, o Bom Pastor, um dos itens acima mencionados e o tema do Dia Mundial de Orações pelas Vocações Sacerdotais e Religiosas.  

Entrada: Diante do que propomos acima, a música inicial poderá ser escolhida entre um destes temas, com músicas que fale de: Bom Pastor, vocacional ou louvor ao Cordeiro Pascal. 

Aspersão com a água: Nossa proposta para os ritos iniciais, em vez do ato penitencial, é a aspersão da assembléia com a água lustral, a água que foi abençoada na Vigília Pascal. Para este momento, pode-se cantar a mesma canção cantada na Vigília Pascal, no momento da aspersão do povo, ou outra canção que tenha como tema a água: “Eu te peço desta água que tu tens”//  “Água cristalina...”

Canto do Glória: Caso seja feito um canto para a água, não é conveniente cantar o canto do glória, uma vez que seriam três canções seguidas: canto de entrada, canto para a aspersão e canto do Glória. Do ponto de vista comunicativo, isso poderá cansar a assembléia. O glória poderá ser recitado alterando os lados ou alterando entre homens e mulheres.

Salmo Responsorial: Preste atenção que neste domingo não se canta o Salmo do Bom Pastor (Sl 22(23)), como acontece no 4o Domingo do “Ano A”. Seria bom respeitar a opção litúrgica e cantar o Sl 99.

Aclamação ao evangelho: Como sugestão que vem da antífona da aclamação ao evangelho deste domingo, o refrão do Bom Pastor poderia ser cantado neste momento, conforme comentamos acima. Se os músicos não conhecerem nenhuma música com esta letra, que exerçam seus dotes musicais e componham um pequeno refrão para este momento ou, aproveitem do refrão da música do Pe.Zezinho, cantada pelos Cantores de Deus: “O Senhor é meu pastor e nada, nada, me faltará”.

Canção vocacional: Esta canção poderá ser cantada depois da homilia. Se o presidente da celebração é bom cantor e faz a assembléia cantar com facilidade, poderá fazer uma homilia vocacional, refletindo sobre o Reino de Deus, cantando e ligando a poesia da letra com algumas partes da canção. Sugerimos: “Por causa de um certo Reino, estradas eu caminhei...” 

A letra desta música se presta muito bem ao enfoque temático desta celebração: caminhar por causa do Reino (1a leitura), testemunhar o Reino até as últimas conseqüências (2a leitura), ser pastor no meio do povo que leve as pessoas ao Reino (evangelho).

 Procissão das ofertas: Duas propostas para escolher. A primeira delas é aquela música de Paulinho Ribeiro, “Ofertar é doar sua vida” ou, a canção “Eu creio num mundo novo, pois Cristo ressuscitou”. 

Comunhão: Continuamos com a mesma sugestão do domingo passado, com a canção que canta no refrão a esperança de um dia ver e participar da ressurreição: “E quando amanhecer, o dia eterno, a plena visão...” que faz uma ligação entre a comunhão que a assembléia realiza e a 2a leitura, de modo particular. Outra canção para este momento, poderá ser um canção de compromisso cristão, ou até mesmo, a canção “Por causa de um certo Reino”, ligando assim a reflexão da homilia com aquilo que a assembléia comunga. Uma terceira proposta, para aquelas assembléias que têm muitas comunhãos, é a canção: “Cristo, nossa Páscoa foi imolado, aleluia”. 

Canto de agradecimento: Equilibrando bem as canções, para não se cantar nem demais nem de menos, sugerimos para este momento uma canção de agradecimento pelo dom da vida eterna (evangelho). Seria também apropriado, o canto do Sl 22, Salmo do Bom Pastor. No caso da escolha deste salmo, recorde-se que este momento da celebração pede que a música seja cantada de modo suave e não a plenos pulmões. 

Canção do envio: A música de envio e da dispersão da assembléia poderá ser uma canção vocacional que tenha como tema: seguir a Cristo, ou empenhar-se e trabalhar pelo Reino de Deus, ou a viver a santidade da vida cristã. 

Atenção

Estamos disponibilizando em nosso site algumas letras de canções que sugerimos para este tempo pascal. Se seu Ministério de Música tiver outra idéia e quiser nos enviar a letra de uma canção para um determinado momento da missa, que não mencionamos no site, ficaremos muito agradecidos. Este é um modo de participar e partilhar a preparação das celebrações com outras comunidades.

 
 
O QUE VALORIZAR NA CELEBRAÇÃO?

Espaço celebrativo: Já acenamos a propósito do símbolo das palmas da vitória, que lemos na 2a Leitura, para compor o espaço celebrativo. Um arranjo bem feito com palmas ao lado do ambão e outro arranjo próximo ao altar tem uma forte motivação simbólica. Por que eles, na assembléia celeste, tem a palma da vitória? Porque se alimentaram da Mesa da Palavra e da Mesa do Alimento eucarístico. Uma palma poderia ser colocada no pedestal do Círio Pascal, ligando assim aqueles que caminharam na luz de Cristo e receberam dele a palma da vitória.

Ritos iniciais

Aspersão com a água lustral: Após a saudação inicial do presidente da celebração, algumas pessoas podem introduzir na assembléia a água lustral, abençoada na Vigília Pascal. O rito poderá ser solenizado; neste caso, alguns detalhes a considerar: túnicas brancas para quem traz a água; palmas da vitória ladeando a água música que acompanhe a entrada da água

1 - As palmas podem ser colocadas próximas ao ambão e ao altar e compor assim o arranjo sugerido acima. Para fazer isso, os arranjadores não se esqueçam de preparar o local onde deverá ficar as palmas.

2 - A mesma música da entrada da água é repetida durante a aspersão da assembléia.

 Como fazer isso?

Após a saudação e a acolhida inicial, o presidente da celebração explica o gesto da entrada da água e da aspersão. Logo em seguida entram as pessoas escolhidas com o símbolo.

 Monição presidencial (proposta)

Diz o livro do Apocalipse que a assembléia celeste é formada por aqueles que lavaram suas vestes no sangue do Cordeiro. Estes estão vestidos de branco, de pé e com a palma da vitória na mão. Todos nós lavamos nossas vidas na água do Batismo. Naquele dia, recebemos uma veste branca e agora estamos de pé, diante do Cordeiro, porque desde o batismo participamos da ressurreição do Senhor. Vamos renovar nosso empenho batismal, aspergindo sobre nós a água batismal, abençoada na Vigília Pascal para que, quando chegarmos na assembléia celeste, recebamos a palma da vitória de Jesus, o Ressuscitado.

 Uma vez que não se faz a bênção da água, pois esta já está abençoada, quem traz a água a apresenta à assembléia, entrega-a ao presidente da celebração (ou o acompanha durante a aspersão segurando o recipiente com água) e asperge-se o povo, enquanto a assembléia canta.
           
Terminada a aspersão, o presidente convida a assembléia a recitar (ou cantar) o “glória a Deus nas alturas”. (Cf. nosso comentário sobre o canto do glória para esta celebração em “Vamos cantar a celebração, acima).

Liturgia da Palavra

Aclamação ao evangelho: A aclamação ao evangelho sugere a antífona de Jo 10, que canta Jesus Cristo como o Bom Pastor. Nossa sugestão é que a aclamação ao evangelho seja com a música “O Senhor é meu Pastor e nada, nada, me faltará” cantada pelos Cantores de Deus, no CD “Em verso e em canção”. 

Como fazer isso?

Escolha cantores que façam um belo solo, jovens que saibam dançar bem e façam a coreografia desta música trazendo o evangeliário do fundo da igreja. Um detalhe: o povo deve aprender o refrão para cantar junto. 

Uma vez que o evangelho é muito breve, não existe nenhum problema de coreografar esta parte da missa com a mensagem da música. O motivo do símbolo coreográfico está no próprio evangelho: “elas ouvem a minha voz”... o evangeliário é a voz de Jesus na assembléia.

Temas para a homilia:

1 – Jesus ressuscitado conduz a sua Igreja como Bom Pastor.
2 – Vocações hoje: um serviço à comunidade a exemplo do Bom Pastor.
3 – Necessidade de evangelizar sempre (1a leitura).
4 – A Igreja segue a voz de Cristo Pastor e não ideologias ou modismos da época.
5 – “Por causa de um certo Reino”- reflexão vocacional (cf. acima, nas músicas)
6 – Nossa proposta de homilia (cf. abaixo).

Oração da comunidade

P - Elevemos nossa oração ao Pai e peçamos, nesse dia mundial de orações pelas vocações sacerdotais e religiosas, que envie operários para sua messe. 

I -  Pela Igreja, povo de Deus que caminha nas estrada do mundo, para que seja fiel no seguindo da voz do Pastor Jesus Cristo, rezemos ao Senhor. 

T
(cantado)  Enviai, Senhor, operários para a messe, pois a messe é grande e os operários são poucos

I - Pelos jovens, rapazes e moças, para que ouçam com clareza a voz de Jesus Bom Pastor, e se disponham a segui-lo no serviço ao povo de Deus,  rezemos ao Senhor.

T(cantado)  Enviai, Senhor, operários para a messe, pois a messe é grande e os operários são poucos.    

I - Para que a Palavra de Deus não encontre fronteiras nem limites, e para que o Senhor suscite sempre mais vocações evangelizadoras em nossa comunidade, rezemos ao Senhor

T(cantado)  Enviai, Senhor, operários para a messe, pois a messe é grande e os operários são poucos

I – Por todos aqueles que se consagraram ao serviço do Senhor, de modo particular por aqueles que passam por momentos de dificuldades e de crises vocacionais, para que encontrem na oração o caminho do discernimento, rezemos ao Senhor. 

T(cantado)  Enviai, Senhor, operários para a messe, pois a messe é grande e os operários são poucos 

P - Atendei nossos pedidos, Pai de bondade. Olhai para vossa messe, e despertai nos em nossos jovens muitas e santas vocações para o bem da vossa Igreja e da sociedade. Por Cristo nosso Senhor. 

T - Amém!

LITURGIA SACRAMENTAL

Apresentação das ofertas: Um gesto muito bonito que poderia ser realizado neste momento, é a recordação daquelas pessoas que deram a vida por causa do evangelho de Jesus, os mártires... aqueles que lavaram suas vestes no sangue do Cordeiro e hoje tem a palma da vitória nas mãos. Nossa sugestão é recordar alguns nomes de mártires latino-americanos ou mesmo brasileiros, que morreram por causa do evangelho. 

Como fazer isso?

Algumas pessoas (vestidas com túnicas brancas) e tendo na mão a palma da vitória, entram na assembléia, vindas do fundo da igreja. Antes de entrar, faz-se a chamada daqueles que deram suas vidas pelo evangelho. Logo em seguida, entram estas pessoas (o número é representativo e fica por conta da comunidade), enquanto se canta a nossa proposta de música: “ofertar é doar sua vida...”, de (Paulinho Ribeiro) ou outra canção que fale de oferecimento da vida ou de compromisso cristão.
           
No final desta procissão, entram as pessoas da comunidade escolhidas para levar ao altar o pão e o vinho, que neste dia poderiam ser seminaristas e junioristas.
 

Oração eucarística: Confira nossa sugestão acima, no título “O que vamos rezar nesta missa” para ler o comentário e as propostas de Prefácio e da Oração Eucarística. 

Compromisso concreto: O compromisso concreto poderá ser um incentivo para que as famílias não deixem de rezar pelas vocações sacerdotais e religiosas nas famílias da comunidade.
           
Outra proposta, que quase sempre é repetida, mas que continua a ter sua validade, é um pequeno testemunho de uma religiosa ou de um seminarista incentivando os jovens a seguir a vida religiosa ou sacerdotal.
           
Neste momento, poder-se-ia apresentar uma estatística de quantos religiosos e padres atuam na diocese e quais a necessidade de mão de obra para um atendimento melhor. Juntamente com esta apresentação, é sempre bom lembrar o que poderá ser feito, além de rezar pelas vocações e como a Pastoral Vocacional (PV) atua na diocese. Lembramos que estes esclarecimentos são sempre úteis e necessários, mas precisam ter a prudência da brevidade e de uma apresentação objetiva. 

RITOS FINAIS

Bênção final: A primeira proposta é a bênção Pascal, que se encontra no Missal Romano, p. 523, n. 7. Uma outra proposta de bênção é esta que segue abaixo, baseada na Liturgia da Palavra desta eucaristia. 

P – Deus, que é o Pastor de Israel e que conduziu o Povo na Páscoa libertadora do Egito, vos conceda a graça de caminhar nos caminhos da Páscoa de Jesus Cristo. 

T - Amém 

P – Jesus Cristo, o Bom Pastor que dá a vida eterna às suas ovelhas, vos torne corajosos no testemunho cristão e atentos às Palavras de vida que Ele vos disser. 

T – Amém! 

P – O Espírito Santo, que une a Igreja na unidade de um só rebanho e um só pastor, conduza vossos atos para o crescimento da unidade e da concórdia na comunidade.

T – Amém!

P – A bênção de Deus todo-poderoso, Pai e Filho e Espírito Santo desça sobre vós e convosco permaneça para sempre. 

T – Amém! 

P – O Senhor é o Bom Pastor que nos conduz em todos os momentos de nossa vida. Ide em paz e testemunhai o evangelho com vossas vidas.

T – Graças a Deus!

LITURGIA DA PALAVRA (leituras)
Primeira Leitura - At 13,14.43-52

Nada deve impedir o anúncio da Palavra evangelizadora, nem mesmo calúnias ou perseguições. O mais importante é anunciar o Evangelho de Jesus Cristo em todos os lugares e em qualquer circunstância.  

Leitura dos Atos dos Apóstolos 

Naqueles dias, Paulo e Barnabé
partindo de Perge,
chegaram a Antioquia da Pisidia.
E, entrando na sinagoga em dia de sábado, sentaram-se.
Muitos judeus e pessoas piedosas
convertidas ao judaísmo seguiram Paulo e Barnabé.
Conversando com eles, os dois insistiam
para que continuassem fiéis à graça de Deus.
No sábado seguinte, quase toda a cidade se reuniu
para ouvir a Palavra de Deus.
Ao verem aquela multidão,
os judeus ficaram cheios de inveja
e, com blasfêmias opunham-se ao que Paulo dizia.
Então, com muita coragem,
Paulo e Barnabé declararam:
“Era preciso anunciar a palavra de Deus primeiro a vós.
Mas, como a rejeitais
e vos considerais indignos da vida eterna,
sabei que vamos dirigir-nos aos pagãos.
Porque esta é a ordem que o Senhor deu:
“eu te coloquei como luz para as nações,
para que leves a salvação
até os confins da terra”.
Os pagãos ficaram muito contentes,
quando ouviram isso,
e glorificaram a palavra do Senhor.
Todos os que eram destinado à vida eterna,
abraçaram a fé.
Desse modo, a palavra do Senhor
espalhava-se por toda a região.
Mas os judeus
instigaram as mulheres ricas e religiosas,
assim como os homens influentes da cidade,
provocaram uma perseguição contra Paulo e Barnabé
e expulsaram-nos do seu território.
Então os apóstolos sacudiram contra eles a poeira dos pés,
e foram para a cidade de Icônio.
Os discípulos, porém, ficaram cheios de alegria
e do Espírito Santo.

Palavra do Senhor

Graças a Deus

Salmo Responsorial – Sl 99

Porque o anúncio da Boa Nova chegou até nós e porque fazemos parte do rebanho de Jesus Cristo, convidemos e proclamemos com toda a terra que somente o Senhor é Deus e nós somos o seu rebanho. 

Sabei que o Senhor, só ele é Deus,
nós somos o seu povo e seu rebanho.

Aclamai o Senhor, ó terra inteira,
servi ao Senhor com alegria,
ide a Ele cantando jubilosos!

Sabei que o Senhor, só ele é Deus,
nós somos o seu povo e seu rebanho.
 

Sabei que o Senhor, só ele é Deus,
Ele mesmo nos fez e somos seus,
nós somos o seu povo e o seu rebanho.

Sabei que o Senhor, só ele é Deus,
nós somos o seu povo e seu rebanho.
 


Segunda Leitura  - Ap 7,9.14-17

A multidão dos reconciliados e dos vitoriosos é descrita por João no livro do Apocalipse. São todos aqueles que creram e que lavaram suas vidas no sangue do Cordeiro.

 Leitura do livro do Apocalipse de João

 Eu João,
vi uma multidão imensa
de gente de todas as nações, tribos, povos e línguas,
e que ninguém podia contar.
Estavam de pé diante do trono e do Cordeiro;
trajavam vestes brancas e traziam palmas nas mão.
Então um dos anciãos me disse:
“esses são os que vieram da grande tribulação.
Lavaram e alvejaram as suas roupas
no sangue do Cordeiro.
Por isso, estão diante do trono de Deus
e lhe prestam culto, dia e noite, no seu templo.
E aquele que está sentado no trono
os abrigará na sua tenda.
Nunca mais terão fome, nem sede.
Nem os molestará o sol, nem algum calor ardente.
Porque o Cordeiro, que está no meio do trono,
será o seu pastor
e os conduzirá às fontes da água viva.
E Deus enxugará as lágrimas de seus olhos”.

Palavra do Senhor

Graças a Deus


Evangelho: Jo 10,27-30

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo, segundo João

 Naquele tempo, disse Jesus:
“As minhas ovelhas escutam a minha voz,
eu as conheço e elas me seguem.
Eu dou-lhes a vida eterna
e elas jamais se perderão.
E ninguém vai arrancá-las de minha mão.
Meu Pai, que me deus estas ovelhas,
é maior que todos,
e ninguém pode arrebatá-las da mão do Pai.
Eu e o Pai somos um”

Palavra da Salvação.

Glória a vós, Senhor.


REFLEXÃO CELEBRATIVA (proposta de homilia)

1 – O Rebanho de Cristo em meio a lobos

Durante os Domingos da Páscoa a Liturgia traz para a assembléia os textos dos Atos dos Apóstolos e do Apocalipse com uma finalidade catequética: mostrar o entusiasmo e a coragem dos apóstolos na pregação do evangelho, por isso Atos dos Apóstolos. E mostrar o prêmio daqueles que permaneceram fiéis a Cristo: viverão eternamente ao lado de Jesus, vivo e ressuscitado. Esta é uma longa tradição na Liturgia da Igreja, com o objetivo de que os cristãos não tenham medo e não percam a coragem de testemunhar o evangelho, mesmo se o rebanho esteja em meio a lobos que perseguem, difamam e, em alguns momentos históricos, matam alguns, como é testemunhado por tantos mártires. A Igreja mostra o exemplo de coragem dos apóstolos e reza pelo rebanho.

 2 – “Que tenham a fortaleza do Pastor”

É este o motivo pelo qual, a primeira oração de nossa celebração intercedia a Deus que o rebanho tivesse a fortaleza, (a força), do Pastor. E esta força não tem faltado à Igreja diante dos ataques que sofre, diante das agruras pelas quais é obrigada a passar e, até mesmo, diante de escândalos em nível comunitário ou mesmo mundial que precisa enfrentar, como aconteceu mês passado, porque alguns pastores sucumbem na debilidade humana. Neste domingo dedicado às orações pelas vocações sacerdotais e religiosas, a Igreja reza pelos seus pastores para que sejam corajosos, perseverantes e corajosos como o Pastor. Reza também, pela sua Liturgia, para que o rebanho, para que os cristãos vivam unidos e ouçam a voz do Pastor.

 3 – Diferentes sim, mas um só rebanho

Um segundo elemento precisa estar presente em nossa reflexão: a unidade do rebanho. Este tema, aliás, estará presente nos demais Domingos da Páscoa que celebraremos nos próximos domingos. O rebanho pode ter modos diferentes de se manifestar, pois isso é graça do Espírito Santo, mas precisa viver a unidade do evangelho. Não se trata de transformar a Igreja ou a comunidade num “rebanhão” ou numa pastoral de “rebanhismo” onde todos deverão fazer a mesma coisa. Não é isso! É preciso que a diversidade dos carismas se manifeste na comunidade e na Igreja, nos carismas de pessoas que são profetas, em espiritualidades que ajudem a viver o evangelho sinceramente.... tudo isso sim, mas sempre na unidade da Igreja, ouvindo a voz do único Pastor, que hoje se manifesta pela Igreja.


REFLEXÕES PARALELAS

Liturgia pascal e devoções de maio
           
Neste mês de maio, que a devoção popular dedica à Nossa Senhora, algumas comunidades tem a tentação de colocar em segundo plano a Liturgia, esquecendo que “nenhum ato na Igreja se equipara à Liturgia” (SC 7), devido a excelência da Liturgia. Não quero, com isso, dizer que não se deva homenagear Nossa Senhora, apenas lembrar que a Igreja estabelece uma primazia para as celebrações litúrgicas e, depois, vem as homenagens devocionais. Mas, tem um meio de conciliar isso?
           
Tem sim, e a Igreja pede que aquelas devoções que ajudam o povo a viver melhor o evangelho, sejam incentivadas e cultivadas dentro da Igreja, de modo particular entre o nosso povo mais simples.
           
O modo mais apropriado para se fazer isso, de acordo com a orientação da Igreja, é não misturando
descriteriosamente, manifestações devocionais com a celebração litúrgica. As devoções podem existir fora da missa, por exemplo e, hoje em dia, fica estranho que se incentive a rezar o terço durante a missa ou que padres celebrem a missa com terços ou rosários “bizantinos” nas mãos.
           
Contudo, a exemplo do que vemos nas missas papais, que depois da missa reza a oração do “Angelus” (“O Anjo do Senhor anunciou a Maria”), como o Papa fez no Jubileu dos Bispos, quando ajoelhou-se, no final da missa, aos pés da imagem de Nossa Senhora e a ela consagrou a Igreja. Isso nos leva a supor que haja um incentivo para que as devoções marianas aconteçam após a oração depois da comunhão e antes da bênção final. Mesmo assim, em consciência preciso dizer que, pessoalmente não vejo muita fidelidade à celebração litúrgica neste gesto e se proponho isso é somente porque o Vaticano incentiva explicitamente, com as transmissões televisivas ao mundo inteiro.
           
Da mesma forma, gestos como oferecer imagens de Nossa Senhora, terços e rosários “bizantinos” no momento das ofertas não são nada litúrgicos. Se se quiser prestar uma homenagem à Nossa Senhora, no início da celebração que se destaque um local para sua imagem e, em hipótese alguma, nunca sobre o altar, ou então se faça uma entrada processional, antes da missa começar.
           
Aos que se sentirem chocados ou pensarem que estou descriminando Nossa Senhora por causa das orientações acima, devo dizer que tenho um grande carinho para com Nossa Senhora e rezo o terço diariamente e, desde já prometo um terço a quem me critica sem ponderar aquilo que a Igreja orienta em sua Liturgia.

Serginho Valle

 Bom pastor, um antigo título de Jesus

            Alguns historiadores admitem que o título de Bom Pastor, dado a Jesus é um dos mais antigos que se conhece. Imagens de Cristo, encontradas nas catacumbas de Roma representavam Jesus como um jovem e “belo” pastor. Por que?
           
Como traduzir corretamente do grego a expressão que abre o evangelho deste domingo, o Bom Pastor? Poderia ser “verdadeiro pastor” ou o “belo pastor”? De fato o texto original, em grego, fala de “belo pastor” porque os gregos vibravam com a beleza e, por este motivo, alguém que fosse belo era também bom. Podemos explicar ainda deste modo: a bondade faz com que a pessoa seja bela, seja bonita. 
           
Um comentarista bíblico, francês, ao tratar deste texto comentava que se o evangelho tivesse sido escrito em aramaico, a língua de Jesus, o autor teria usado o adjetivo “bom” pastor, pois para o semita, nada poderá ser bela, bonita e verdadeira se não for, antes disso, boa, se não provoca alguma bondade ou alguma benfeitoria.
           
Nossa tradução portuguesa (brasileira) adotou o termo “Bom Pastor”, talvez porque a mentalidade religiosa do nosso povo identifica muito facilmente Jesus como sendo bom e, não poderia ser diferente. Uma vez que Deus sempre usou linguagens e as línguas dos povos para se comunicar com a humanidade, é interessante perceber que este é o modo de penetrar na mentalidade de um povo para mostrar como é Deus e como é Jesus a todos os povos do mundo.
           
Os livros do Antigo Testamento, ao empregar a imagem de Bom Pastor, atribuíam a Deus um título que era dado aos soberanos da antiguidade, para demonstrar que somente Deus é capaz de conduzir os homens através dos caminhos do bem e com bondade. Ao atribuir este título a Jesus, os primeiros cristãos e a teologia joanina não estava apenas querendo manifestar um sentimentalismo a Jesus, mas demonstrar que de agora em diante, desde sua ressurreição, nós somos seguidores de um único pastor, Jesus, que é bom e nos conduz por caminhos seguros e de paz.

Francisco Régis