Todos os anos,
o 4o Domingo da Páscoa contempla um texto extraído do
capítulo 10 do evangelho de João, que apresenta Jesus como o Bom Pastor,
aquele que dá a vida pelas suas ovelhas. Outra particularidade, deste 4o
Domingo da Páscoa, é o dia mundial de orações pelas vocações
sacerdotais e religiosas. A Igreja pede que a comunidade se interesse por
seus pastores, reze por eles e os faça pastores iguais ao Coração de
Jesus.
ILUMINADOS PELA PALAVRA
A Palavra de Deus desta celebração trabalha com dois enfoques: a alegria
e o pastoreio. A alegria está nos pagãos que acolhiam o Evangelho
pregado por Paulo e Barnabé (1a leitura), no serviço ao Senhor
(Salmo Responsorial) e naqueles que foram dignos de receber a palma da
vitória (2a leitura). Já o tema do pastoreio aparece no
Salmo Responsorial — “somos os seu povo e o seu rebanho” —, na 2a
leitura — “porque o Cordeiro, que está no trono, será o seu pastor”
— e, no evangelho, no qual Jesus se apresenta como o Bom Pastor, aquele
que ama, conhece e dá a vida eterna para suas ovelhas.
A
confluência destes dois enfoques encontra-se no ponto comum da provação.
Os apóstolos, por exercerem sua “pastoral” evangelizadora enfrentaram
os sofrimentos da perseguição, da inveja, da recusa e da difamação (1a
leitura). A multidão da liturgia celeste tem a palma da vitória porque foi
fiel no seguimento do Cordeiro, o Pastor, e não sucumbiu diante das
provações deste mundo.
Dizem os
entendidos em Bíblia que a finalidade de João, ao apresentar Jesus como o
Bom Pastor, era criar nos leitores uma intimidade com Jesus. A Liturgia,
neste “Ano C”, destaca o destino daqueles que seguem o Bom Pastor:
receberão a vida eterna, serão vestidos de branco e terão palmas da
vitória nas mãos, desde que sejam fiéis nos momentos da provação.
O exemplo de
fidelidade na provação está na Igreja apostólica (1a leitura)
em pessoas como Paulo e Barnabé que, mesmo sofrendo contratempos, não
deixavam de pregar o evangelho. Antes de receber a palma da vitória existe
o empenho apostólico e evangelizador, às vezes pago com o próprio sangue,
daqueles que lavaram suas vestes no sangue do Cordeiro (batismo) (2a
leitura).
O Domingo do Bom Pastor, longe de ser um domingo
poético, com Jesus caminhando em prados verdejantes e tudo que encanta,
traz uma proposta de fidelidade total com o Pastor, através do seguimento
e do testemunho, mesmo porque nós ainda estamos vivendo no tempo das
provações, que não nos devem apavorar, desde que ouvimos a voz do
Pastor.
O
QUE VAMOS REZAR NESTA CELEBRAÇÃO
A celebração se abre com dois pedidos: que sejamos conduzidos às alegrias
celestes e possuir a força do pastor (oração do dia). O tema
da alegria eterna retorna, de modo direto, na oração sobre as
oferendas e, indiretamente, na oração depois da comunhão, ao suplicar que
todos os batizados vivam nos “prados eternos”.
Levando
em consideração esta dimensão escatológica da salvação, tanto das
leituras como nas orações desta missa, o Prefácio Pascal que mais se
adequa é o Prefácio da Páscoa IV — “A restauração do universo pelo
Mistério Pascal” (cf. Missal Romano, p. 424). Os temas da vitória e da
vida em plenitude, com o convite baseado na alegria pascal comprovam nossa
opção por este prefácio. A Oração Eucarística III, que suplica a vida
eterna com todos os apóstolos e mártires, nos leva a indicá-la como a
Prece Eucarística para esta missa.
É interessante
perceber que o 4o Domingo da Páscoa tem uma forte dimensão
escatológica, como é demonstrado pelas leituras e pelas orações. Isso
nos leva a compreender que um fruto da ressurreição de Jesus e do seu
seguimento como pastor, é receber a vida eterna, que ressuscitado nos dá
(evangelho).
O DESAFIO QUE NOS VEM DO
MUNDO
Um desafio é tão antigo
quanto o primeiro dia que os apóstolos saíram pelo mundo para pregar o
evangelho: a rejeição e a ridicularização aos pregadores. Diante do
mundo secularizado e voltado para o materialismo, falar de vida eterna e de
enfrentar provações neste mundo não é nada fácil. Se no tempo de Paulo
e Barnabé eles foram evangelizar um mundo pagão, nossa realidade
brasileira requer, muitas vezes, a necessidade de evangelizar um mundo
cristão de nome, mas indiferente aos princípios do cristianismo e da
Igreja.
Outro desafio é o da
perseguição e da difamação. A Igreja continua sendo perseguida em nossos
dias e em nosso país. Não é uma perseguição institucionalizada, como
acontece em alguns países (na China, por exemplo), mas é a perseguição e
a difamação moral que, às vezes, se apresenta subliminarmente, outras
vezes se faz gratuita e com tons nada evangélicos, como a raiva e a inveja,
como acontece com os ataques do jornal daquele grupo financeiro que se
auto-denomina igreja universal.
Em março deste ano, a Rede
Globo, no programa Fantástico (25.03.2001) tornou público envolvimentos
amorosos de padres e religiosas em vários países, inclusive no Brasil,
dizia a reportagem. É o desafio da Igreja de se sentir pecadora e fraca em
seus pastores e ter que reconhecer que, embora contando com a graça divina
e com a presença do Bom Pastor, ainda vacila e cai diante das tribulações
deste mundo. Quem sabe por isso, com maior devoção devamos rezar nesta
missa: “apesar de sua fraqueza não falte a fortaleza do pastor”.
Muito provavelmente muitos outros desafios existem
em sua comunidade. Eles podem ser recordados no momento da preparação
desta celebração e serem apresentados à assembléia litúrgica, a
exemplo daquilo que faz a Liturgia da Palavra deste dia.
CONTEXTO CELEBRATIVO
Depois de refletir as leituras, as orações e os desafios da
sociedade, o Domingo do Bom Pastor se apresenta num contexto celebrativo que
promete a vida eterna, mas que não esconde o mundo que vivemos. E mais!
Não esconde a necessidade de enfrentar as tribulações, os ataques e as
perseguições deste mundo.
A proposta do contexto celebrativo deste domingo não é fugir do
mundo ou se isolar em orações ou louvações alienadas, esperando o dia de
ir para o céu. A liturgia, ao contrário disso, empenha o celebrante a ter
mais coragem e mostrar o rosto, como fez Paulo e Barnabé, com fizeram
aqueles que, de tanto amor pelo Pastor, lavaram suas vidas no sangue do
Cordeiro e se tornaram mártires de Cristo (testemunhas).
O contexto celebrativo deste domingo canta a alegria da
ressurreição, a promessa da vida eterna e a presença da voz do Bom Pastor
na Igreja, e exige dos celebrantesa coragem de não fugir diante dos
desafios deste mundo.
MOTIVANDO
A INSPIRAÇÃO
1 – O tema do anúncio
evangelizador e de sair pregando o evangelho (1a leitura).
2 – Uma celebração motivada pela alegria, tendo em vista uma recompensa
espiritual.
3 – O empenho cristão na sociedade, independe das provações que
surgirem.
4 – Vocação sacerdotal e religiosa como entrega ao Bom Pastor e empenho
pelo Reino.
5 – Símbolo vocacional da PV da diocese ou oração pelas vocações
diocesana
6 – Encorajamento diante dos desafios da comunidade.
7 – Vida eterna; uma realidade distante para nossos dias?
8 – Palma da vitória para compor o arranjo no ambão e no altar.
VAMOS CANTAR A CELEBRAÇÃO
As canções deverão continuar a ter o mesmo teor
pascal. Contudo, uma ou outra canção poderia destacar Jesus, o Bom Pastor,
um dos itens acima mencionados e o tema do Dia Mundial de Orações pelas
Vocações Sacerdotais e Religiosas.
Entrada: Diante do
que propomos acima, a música inicial poderá ser escolhida entre um destes
temas, com músicas que fale de: Bom Pastor, vocacional ou louvor ao
Cordeiro Pascal.
Aspersão com a água:
Nossa proposta para os ritos iniciais, em vez do ato penitencial, é a
aspersão da assembléia com a água lustral, a água que foi abençoada na
Vigília Pascal. Para este momento, pode-se cantar a mesma canção cantada
na Vigília Pascal, no momento da aspersão do povo, ou outra canção que
tenha como tema a água: “Eu te peço desta água que tu tens”//
“Água cristalina...”
Canto do Glória:
Caso seja feito um canto para a água, não é conveniente cantar o canto do
glória, uma vez que seriam três canções seguidas: canto de entrada,
canto para a aspersão e canto do Glória. Do ponto de vista comunicativo,
isso poderá cansar a assembléia. O glória poderá ser recitado alterando
os lados ou alterando entre homens e mulheres.
Salmo Responsorial:
Preste atenção que neste domingo não se canta o Salmo do Bom Pastor (Sl
22(23)), como acontece no 4o Domingo do “Ano A”. Seria bom
respeitar a opção litúrgica e cantar o Sl 99.
Aclamação ao evangelho:
Como sugestão que vem da antífona da aclamação ao evangelho deste
domingo, o refrão do Bom Pastor poderia ser cantado neste momento, conforme
comentamos acima. Se os músicos não conhecerem nenhuma música com esta
letra, que exerçam seus dotes musicais e componham um pequeno refrão para
este momento ou, aproveitem do refrão da música do Pe.Zezinho, cantada
pelos Cantores de Deus: “O Senhor é meu pastor e nada, nada, me faltará”.
Canção vocacional:
Esta canção poderá ser cantada depois da homilia. Se o presidente da
celebração é bom cantor e faz a assembléia cantar com facilidade,
poderá fazer uma homilia vocacional, refletindo sobre o Reino de Deus,
cantando e ligando a poesia da letra com algumas partes da canção.
Sugerimos: “Por causa de um certo Reino, estradas eu caminhei...”
A letra desta
música se presta muito bem ao enfoque temático desta celebração:
caminhar por causa do Reino (1a leitura), testemunhar o Reino
até as últimas conseqüências (2a leitura), ser pastor no
meio do povo que leve as pessoas ao Reino (evangelho).
Procissão das
ofertas: Duas propostas para escolher. A primeira delas é aquela
música de Paulinho Ribeiro, “Ofertar é doar sua vida” ou, a canção
“Eu creio num mundo novo, pois Cristo ressuscitou”.
Comunhão:
Continuamos com a mesma sugestão do domingo passado, com a canção que
canta no refrão a esperança de um dia ver e participar da ressurreição:
“E quando amanhecer, o dia eterno, a plena visão...” que faz uma
ligação entre a comunhão que a assembléia realiza e a 2a
leitura, de modo particular. Outra canção para este momento, poderá ser
um canção de compromisso cristão, ou até mesmo, a canção “Por causa
de um certo Reino”, ligando assim a reflexão da homilia com aquilo que a
assembléia comunga. Uma terceira proposta, para aquelas assembléias que
têm muitas comunhãos, é a canção: “Cristo, nossa Páscoa foi imolado,
aleluia”.
Canto de agradecimento:
Equilibrando bem as canções, para não se cantar nem demais nem de menos,
sugerimos para este momento uma canção de agradecimento pelo dom da vida
eterna (evangelho). Seria também apropriado, o canto do Sl 22, Salmo do Bom
Pastor. No caso da escolha deste salmo, recorde-se que este momento da
celebração pede que a música seja cantada de modo suave e não a plenos
pulmões.
Canção do envio: A
música de envio e da dispersão da assembléia poderá ser uma canção
vocacional que tenha como tema: seguir a Cristo, ou empenhar-se e trabalhar
pelo Reino de Deus, ou a viver a santidade da vida cristã.
Atenção
Estamos
disponibilizando em nosso site algumas letras de canções que sugerimos
para este tempo pascal. Se seu Ministério de Música tiver outra idéia e
quiser nos enviar a letra de uma canção para um determinado momento da
missa, que não mencionamos no site, ficaremos muito agradecidos. Este é
um modo de participar e partilhar a preparação das celebrações com
outras comunidades.
O QUE VALORIZAR NA CELEBRAÇÃO?
Espaço celebrativo:
Já acenamos a propósito do símbolo das palmas da vitória, que lemos na 2a
Leitura, para compor o espaço celebrativo. Um arranjo bem feito com palmas
ao lado do ambão e outro arranjo próximo ao altar tem uma forte
motivação simbólica. Por que eles, na assembléia celeste, tem a palma da
vitória? Porque se alimentaram da Mesa da Palavra e da Mesa do Alimento
eucarístico. Uma palma poderia ser colocada no pedestal do Círio Pascal,
ligando assim aqueles que caminharam na luz de Cristo e receberam dele a
palma da vitória.
Ritos iniciais
Aspersão com a água
lustral: Após a saudação inicial do presidente da celebração,
algumas pessoas podem introduzir na assembléia a água lustral, abençoada
na Vigília Pascal. O rito poderá ser solenizado; neste caso, alguns
detalhes a considerar: túnicas brancas para quem traz a água; palmas
da vitória ladeando a água música que acompanhe a entrada da
água
1 - As palmas podem ser colocadas próximas
ao ambão e ao altar e compor assim o arranjo sugerido acima. Para fazer
isso, os arranjadores não se esqueçam de preparar o local onde deverá
ficar as palmas.
2 - A
mesma música da entrada da água é repetida durante a aspersão da
assembléia.
Como
fazer isso?
Após
a saudação e a acolhida inicial, o presidente da celebração explica o
gesto da entrada da água e da aspersão. Logo em seguida entram as pessoas
escolhidas com o símbolo.
Monição
presidencial (proposta)
Diz
o livro do Apocalipse que a assembléia celeste é formada por aqueles que
lavaram suas vestes no sangue do Cordeiro. Estes estão vestidos de branco,
de pé e com a palma da vitória na mão. Todos nós lavamos nossas vidas na
água do Batismo. Naquele dia, recebemos uma veste branca e agora estamos de
pé, diante do Cordeiro, porque desde o batismo participamos da
ressurreição do Senhor. Vamos renovar nosso empenho batismal, aspergindo
sobre nós a água batismal, abençoada na Vigília Pascal para que, quando
chegarmos na assembléia celeste, recebamos a palma da vitória de Jesus, o
Ressuscitado.
Uma vez que não se
faz a bênção da água, pois esta já está abençoada, quem traz a água
a apresenta à assembléia, entrega-a ao presidente da celebração (ou o
acompanha durante a aspersão segurando o recipiente com água) e asperge-se
o povo, enquanto a assembléia canta.
Terminada
a aspersão, o presidente convida a assembléia a recitar (ou cantar) o “glória
a Deus nas alturas”. (Cf. nosso comentário sobre o canto do glória para
esta celebração em “Vamos cantar a celebração, acima).
Liturgia da Palavra
Aclamação ao evangelho:
A aclamação ao evangelho sugere a antífona de Jo 10, que canta Jesus
Cristo como o Bom Pastor. Nossa sugestão é que a aclamação ao evangelho
seja com a música “O Senhor é meu Pastor e nada, nada, me faltará”
cantada pelos Cantores de Deus, no CD “Em verso e em canção”.
Como
fazer isso?
Escolha
cantores que façam um belo solo, jovens que saibam dançar bem e façam a
coreografia desta música trazendo o evangeliário do fundo da igreja. Um
detalhe: o povo deve aprender o refrão para cantar junto.
Uma vez que o evangelho é muito breve, não existe
nenhum problema de coreografar esta parte da missa com a mensagem da
música. O motivo do símbolo coreográfico está no próprio evangelho:
“elas ouvem a minha voz”... o evangeliário é a voz de Jesus na
assembléia.
Temas para a homilia:
1 – Jesus ressuscitado
conduz a sua Igreja como Bom Pastor.
2 – Vocações hoje: um serviço à comunidade a exemplo do Bom Pastor.
3 – Necessidade de evangelizar sempre (1a leitura).
4 – A Igreja segue a voz de Cristo Pastor e não ideologias ou modismos da
época.
5 – “Por causa de um certo Reino”- reflexão vocacional (cf. acima,
nas músicas)
6 – Nossa proposta de homilia (cf. abaixo).
Oração da comunidade
P - Elevemos nossa oração ao Pai e peçamos, nesse dia mundial de
orações pelas vocações sacerdotais e religiosas, que envie operários
para sua messe.
I - Pela Igreja, povo
de Deus que caminha nas estrada do mundo, para que seja fiel no seguindo da
voz do Pastor Jesus Cristo, rezemos ao Senhor.
T – (cantado) Enviai,
Senhor, operários para a messe, pois a messe é grande e os operários são
poucos
I - Pelos jovens, rapazes e moças, para que ouçam com clareza a
voz de Jesus Bom Pastor, e se disponham a segui-lo no serviço ao povo de
Deus, rezemos ao Senhor.
T – (cantado) Enviai,
Senhor, operários para a messe, pois a messe é grande e os operários são
poucos.
I - Para que a Palavra de Deus não encontre fronteiras nem limites,
e para que o Senhor suscite sempre mais vocações evangelizadoras em nossa
comunidade, rezemos ao Senhor
T – (cantado) Enviai,
Senhor, operários para a messe, pois a messe é grande e os operários são
poucos
I – Por todos aqueles que se consagraram ao serviço do Senhor, de
modo particular por aqueles que passam por momentos de dificuldades e de
crises vocacionais, para que encontrem na oração o caminho do
discernimento, rezemos ao Senhor.
T – (cantado) Enviai,
Senhor, operários para a messe, pois a messe é grande e os operários são
poucos
P - Atendei nossos pedidos, Pai de bondade. Olhai para vossa messe,
e despertai nos em nossos jovens muitas e santas vocações para o bem da
vossa Igreja e da sociedade. Por Cristo nosso Senhor.
T - Amém!
LITURGIA
SACRAMENTAL
Apresentação das
ofertas: Um gesto muito bonito que poderia ser realizado neste momento,
é a recordação daquelas pessoas que deram a vida por causa do evangelho
de Jesus, os mártires... aqueles que lavaram suas vestes no sangue do
Cordeiro e hoje tem a palma da vitória nas mãos. Nossa sugestão é
recordar alguns nomes de mártires latino-americanos ou mesmo brasileiros,
que morreram por causa do evangelho.
Como
fazer isso?
Algumas
pessoas (vestidas com túnicas brancas) e tendo na mão a palma da vitória,
entram na assembléia, vindas do fundo da igreja. Antes de entrar, faz-se a
chamada daqueles que deram suas vidas pelo evangelho. Logo em seguida,
entram estas pessoas (o número é representativo e fica por conta da
comunidade), enquanto se canta a nossa proposta de música: “ofertar é
doar sua vida...”, de (Paulinho Ribeiro) ou outra canção que fale de
oferecimento da vida ou de compromisso cristão.
No
final desta procissão, entram as pessoas da comunidade escolhidas para
levar ao altar o pão e o vinho, que neste dia poderiam ser seminaristas e
junioristas.
Oração eucarística:
Confira nossa sugestão acima, no título “O que vamos rezar nesta missa”
para ler o comentário e as propostas de Prefácio e da Oração
Eucarística.
Compromisso concreto:
O compromisso concreto poderá ser um incentivo para que as famílias não
deixem de rezar pelas vocações sacerdotais e religiosas nas famílias da
comunidade.
Outra
proposta, que quase sempre é repetida, mas que continua a ter sua validade,
é um pequeno testemunho de uma religiosa ou de um seminarista incentivando
os jovens a seguir a vida religiosa ou sacerdotal.
Neste
momento, poder-se-ia apresentar uma estatística de quantos religiosos e
padres atuam na diocese e quais a necessidade de mão de obra para um
atendimento melhor. Juntamente com esta apresentação, é sempre bom
lembrar o que poderá ser feito, além de rezar pelas vocações e como a
Pastoral Vocacional (PV) atua na diocese. Lembramos que estes
esclarecimentos são sempre úteis e necessários, mas precisam ter a
prudência da brevidade e de uma apresentação objetiva.
RITOS FINAIS
Bênção final: A
primeira proposta é a bênção Pascal, que se encontra no Missal Romano,
p. 523, n. 7. Uma outra proposta de bênção é esta que segue abaixo,
baseada na Liturgia da Palavra desta eucaristia.
P – Deus, que é o
Pastor de Israel e que conduziu o Povo na Páscoa libertadora do Egito, vos
conceda a graça de caminhar nos caminhos da Páscoa de Jesus Cristo.
T - Amém
P – Jesus Cristo, o
Bom Pastor que dá a vida eterna às suas ovelhas, vos torne corajosos no
testemunho cristão e atentos às Palavras de vida que Ele vos disser.
T – Amém!
P – O Espírito
Santo, que une a Igreja na unidade de um só rebanho e um só pastor,
conduza vossos atos para o crescimento da unidade e da concórdia na
comunidade.
T – Amém!
P – A bênção de
Deus todo-poderoso, Pai e Filho e Espírito Santo desça sobre vós e
convosco permaneça para sempre.
T – Amém!
P – O Senhor é o
Bom Pastor que nos conduz em todos os momentos de nossa vida. Ide em paz e
testemunhai o evangelho com vossas vidas.
T – Graças a Deus!
LITURGIA DA PALAVRA
(leituras)
Primeira Leitura - At 13,14.43-52
Nada deve impedir o anúncio
da Palavra evangelizadora, nem mesmo calúnias ou perseguições. O mais
importante é anunciar o Evangelho de Jesus Cristo em todos os lugares e em
qualquer circunstância.
Leitura dos Atos dos
Apóstolos
Naqueles dias, Paulo e
Barnabé
partindo de Perge,
chegaram a Antioquia da Pisidia.
E, entrando na sinagoga em dia de sábado, sentaram-se.
Muitos judeus e pessoas piedosas
convertidas ao judaísmo seguiram Paulo e Barnabé.
Conversando com eles, os dois insistiam
para que continuassem fiéis à graça de Deus.
No sábado seguinte, quase toda a cidade se reuniu
para ouvir a Palavra de Deus.
Ao verem aquela multidão,
os judeus ficaram cheios de inveja
e, com blasfêmias opunham-se ao que Paulo dizia.
Então, com muita coragem,
Paulo e Barnabé declararam:
“Era preciso anunciar a palavra de Deus primeiro a vós.
Mas, como a rejeitais
e vos considerais indignos da vida eterna,
sabei que vamos dirigir-nos aos pagãos.
Porque esta é a ordem que o Senhor deu:
“eu te coloquei como luz para as nações,
para que leves a salvação
até os confins da terra”.
Os pagãos ficaram muito contentes,
quando ouviram isso,
e glorificaram a palavra do Senhor.
Todos os que eram destinado à vida eterna,
abraçaram a fé.
Desse modo, a palavra do Senhor
espalhava-se por toda a região.
Mas os judeus
instigaram as mulheres ricas e religiosas,
assim como os homens influentes da cidade,
provocaram uma perseguição contra Paulo e Barnabé
e expulsaram-nos do seu território.
Então os apóstolos sacudiram contra eles a poeira dos pés,
e foram para a cidade de Icônio.
Os discípulos, porém, ficaram cheios de alegria
e do Espírito Santo.
Palavra do Senhor
Graças a Deus
Salmo Responsorial – Sl 99
Porque o anúncio da Boa
Nova chegou até nós e porque fazemos parte do rebanho de Jesus Cristo,
convidemos e proclamemos com toda a terra que somente o Senhor é Deus e
nós somos o seu rebanho.
Sabei que o Senhor, só
ele é Deus,
nós somos o seu povo e seu rebanho.
Aclamai o Senhor, ó terra inteira,
servi ao Senhor com alegria,
ide a Ele cantando jubilosos!
Sabei que o Senhor, só ele é Deus,
nós somos o seu povo e seu rebanho.
Sabei que o Senhor, só ele
é Deus,
Ele mesmo nos fez e somos seus,
nós somos o seu povo e o seu rebanho.
Sabei que o Senhor, só
ele é Deus,
nós somos o seu povo e seu rebanho.
Segunda Leitura
- Ap 7,9.14-17
A multidão dos
reconciliados e dos vitoriosos é descrita por João no livro do Apocalipse.
São todos aqueles que creram e que lavaram suas vidas no sangue do
Cordeiro.
Leitura do livro do
Apocalipse de João
Eu João,
vi uma multidão imensa
de gente de todas as nações, tribos, povos e línguas,
e que ninguém podia contar.
Estavam de pé diante do trono e do Cordeiro;
trajavam vestes brancas e traziam palmas nas mão.
Então um dos anciãos me disse:
“esses são os que vieram da grande tribulação.
Lavaram e alvejaram as suas roupas
no sangue do Cordeiro.
Por isso, estão diante do trono de Deus
e lhe prestam culto, dia e noite, no seu templo.
E aquele que está sentado no trono
os abrigará na sua tenda.
Nunca mais terão fome, nem sede.
Nem os molestará o sol, nem algum calor ardente.
Porque o Cordeiro, que está no meio do trono,
será o seu pastor
e os conduzirá às fontes da água viva.
E Deus enxugará as lágrimas de seus olhos”.
Palavra do Senhor
Graças a Deus
Evangelho: Jo 10,27-30
Proclamação do Evangelho
de Jesus Cristo, segundo João
Naquele tempo, disse
Jesus:
“As minhas ovelhas escutam a minha voz,
eu as conheço e elas me seguem.
Eu dou-lhes a vida eterna
e elas jamais se perderão.
E ninguém vai arrancá-las de minha mão.
Meu Pai, que me deus estas ovelhas,
é maior que todos,
e ninguém pode arrebatá-las da mão do Pai.
Eu e o Pai somos um”
Palavra da Salvação.
Glória a vós, Senhor.
REFLEXÃO CELEBRATIVA (proposta de homilia)
1 – O Rebanho de Cristo
em meio a lobos
Durante os Domingos da
Páscoa a Liturgia traz para a assembléia os textos dos Atos dos Apóstolos
e do Apocalipse com uma finalidade catequética: mostrar o entusiasmo e a
coragem dos apóstolos na pregação do evangelho, por isso Atos dos
Apóstolos. E mostrar o prêmio daqueles que permaneceram fiéis a Cristo:
viverão eternamente ao lado de Jesus, vivo e ressuscitado. Esta é uma
longa tradição na Liturgia da Igreja, com o objetivo de que os cristãos
não tenham medo e não percam a coragem de testemunhar o evangelho, mesmo
se o rebanho esteja em meio a lobos que perseguem, difamam e, em alguns
momentos históricos, matam alguns, como é testemunhado por tantos
mártires. A Igreja mostra o exemplo de coragem dos apóstolos e reza pelo
rebanho.
2 – “Que tenham
a fortaleza do Pastor”
É este o motivo pelo qual,
a primeira oração de nossa celebração intercedia a Deus que o rebanho
tivesse a fortaleza, (a força), do Pastor. E esta força não tem faltado
à Igreja diante dos ataques que sofre, diante das agruras pelas quais é
obrigada a passar e, até mesmo, diante de escândalos em nível
comunitário ou mesmo mundial que precisa enfrentar, como aconteceu mês
passado, porque alguns pastores sucumbem na debilidade humana. Neste domingo
dedicado às orações pelas vocações sacerdotais e religiosas, a Igreja
reza pelos seus pastores para que sejam corajosos, perseverantes e corajosos
como o Pastor. Reza também, pela sua Liturgia, para que o rebanho, para que
os cristãos vivam unidos e ouçam a voz do Pastor.
3 – Diferentes
sim, mas um só rebanho
Um segundo elemento precisa
estar presente em nossa reflexão: a unidade do rebanho. Este tema, aliás,
estará presente nos demais Domingos da Páscoa que celebraremos nos
próximos domingos. O rebanho pode ter modos diferentes de se manifestar,
pois isso é graça do Espírito Santo, mas precisa viver a unidade do
evangelho. Não se trata de transformar a Igreja ou a comunidade num “rebanhão”
ou numa pastoral de “rebanhismo” onde todos deverão fazer a mesma
coisa. Não é isso! É preciso que a diversidade dos carismas se manifeste
na comunidade e na Igreja, nos carismas de pessoas que são profetas, em
espiritualidades que ajudem a viver o evangelho sinceramente.... tudo isso
sim, mas sempre na unidade da Igreja, ouvindo a voz do único Pastor, que
hoje se manifesta pela Igreja.
REFLEXÕES PARALELAS
Liturgia pascal e devoções de maio
Neste
mês de maio, que a devoção popular dedica à Nossa Senhora, algumas
comunidades tem a tentação de colocar em segundo plano a Liturgia,
esquecendo que “nenhum ato na Igreja se equipara à Liturgia” (SC 7),
devido a excelência da Liturgia. Não quero, com isso, dizer que não se
deva homenagear Nossa Senhora, apenas lembrar que a Igreja estabelece uma
primazia para as celebrações litúrgicas e, depois, vem as homenagens
devocionais. Mas, tem um meio de conciliar isso?
Tem
sim, e a Igreja pede que aquelas devoções que ajudam o povo a viver melhor
o evangelho, sejam incentivadas e cultivadas dentro da Igreja, de modo
particular entre o nosso povo mais simples.
O
modo mais apropriado para se fazer isso, de acordo com a orientação da
Igreja, é não misturando
descriteriosamente, manifestações devocionais com a celebração
litúrgica. As devoções podem existir fora da missa, por exemplo e, hoje
em dia, fica estranho que se incentive a rezar o terço durante a missa ou
que padres celebrem a missa com terços ou rosários “bizantinos” nas
mãos.
Contudo,
a exemplo do que vemos nas missas papais, que depois da missa reza a
oração do “Angelus” (“O Anjo do Senhor anunciou a Maria”), como o
Papa fez no Jubileu dos Bispos, quando ajoelhou-se, no final da missa, aos
pés da imagem de Nossa Senhora e a ela consagrou a Igreja. Isso nos leva a
supor que haja um incentivo para que as devoções marianas aconteçam após
a oração depois da comunhão e antes da bênção final. Mesmo assim, em
consciência preciso dizer que, pessoalmente não vejo muita fidelidade à
celebração litúrgica neste gesto e se proponho isso é somente porque o
Vaticano incentiva explicitamente, com as transmissões televisivas ao mundo
inteiro.
Da
mesma forma, gestos como oferecer imagens de Nossa Senhora, terços e
rosários “bizantinos” no momento das ofertas não são nada
litúrgicos. Se se quiser prestar uma homenagem à Nossa Senhora, no início
da celebração que se destaque um local para sua imagem e, em hipótese
alguma, nunca sobre o altar, ou então se faça uma entrada processional,
antes da missa começar.
Aos
que se sentirem chocados ou pensarem que estou descriminando Nossa Senhora
por causa das orientações acima, devo dizer que tenho um grande carinho
para com Nossa Senhora e rezo o terço diariamente e, desde já prometo um
terço a quem me critica sem ponderar aquilo que a Igreja orienta em sua
Liturgia.
Serginho Valle
Bom
pastor, um antigo título de Jesus
Alguns historiadores admitem que o título de Bom Pastor, dado a
Jesus é um dos mais antigos que se conhece. Imagens de Cristo, encontradas
nas catacumbas de Roma representavam Jesus como um jovem e “belo”
pastor. Por que?
Como
traduzir corretamente do grego a expressão que abre o evangelho deste
domingo, o Bom Pastor? Poderia ser “verdadeiro pastor” ou o “belo
pastor”? De fato o texto original, em grego, fala de “belo pastor”
porque os gregos vibravam com a beleza e, por este motivo, alguém que fosse
belo era também bom. Podemos explicar ainda deste modo: a bondade faz com
que a pessoa seja bela, seja bonita.
Um
comentarista bíblico, francês, ao tratar deste texto comentava que se o
evangelho tivesse sido escrito em aramaico, a língua de Jesus, o autor
teria usado o adjetivo “bom” pastor, pois para o semita, nada poderá
ser bela, bonita e verdadeira se não for, antes disso, boa, se não provoca
alguma bondade ou alguma benfeitoria.
Nossa
tradução portuguesa (brasileira) adotou o termo “Bom Pastor”, talvez
porque a mentalidade religiosa do nosso povo identifica muito facilmente
Jesus como sendo bom e, não poderia ser diferente. Uma vez que Deus sempre
usou linguagens e as línguas dos povos para se comunicar com a humanidade,
é interessante perceber que este é o modo de penetrar na mentalidade de um
povo para mostrar como é Deus e como é Jesus a todos os povos do mundo.
Os
livros do Antigo Testamento, ao empregar a imagem de Bom Pastor, atribuíam
a Deus um título que era dado aos soberanos da antiguidade, para demonstrar
que somente Deus é capaz de conduzir os homens através dos caminhos do bem
e com bondade. Ao atribuir este título a Jesus, os primeiros cristãos e a
teologia joanina não estava apenas querendo manifestar um sentimentalismo a
Jesus, mas demonstrar que de agora em diante, desde sua ressurreição, nós
somos seguidores de um único pastor, Jesus, que é bom e nos conduz por
caminhos seguros e de paz.
Francisco Régis
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